DSC_0253Os ciganos tem os seus mistérios!

Tem sua magia na Lua Cheia, e sua maior energia está nos cristais, no incenso reside a sua sabedoria, e sua dança contem alegria, com suas fitas e tecidos coloridos eles mantém a fama de andarilhos, no fogo descobrem o futuro e o poder da natureza.

A violeta é um dos seus perfumes.

Santa Sarah é sua padroeira.

“Santa Sarah pela força das águas, Santa Sarah com seus mistérios, possa sempre estar ao meu lado, pela força da natureza.

Nós filhos do vento, das estrelas e da Lua Cheia, pedimos a senhora que esteja sempre do nosso lado, pelo pentagrama, pela ferradura, pelo punhal e pelo sol que há sempre de brilhar em nossas vidas, e que nossos inimigos não nos enxerguem nem de noite e nem de dia, nem no sol do meio dia.

Minha casa (Tsara) é o meu repouso do dia-a-dia, Santa Sarah me abençõe e me acompanhe dentro de meu Lar, ilumine meu lar para que todos aqueles que baterem em minha porta venham sempre em paz e levem sempre adiante uma palavra de fé, amor e otimismo, Santa Sarah me ajude a ser uma pessoa humilde de alma e coração!

Assim seja, assim o é e para sempre assim o será!!!!!!!!!

Silvia Maya.

VIDA DE CIGANO

Untitled - 8Muitos Gadjos (não ciganos), não tem muita idéia do que é uma vida de cigano, a vida dos ciganos é uma vida extremamente difícil.

Os ciganos cozinham de cócoras e lavam suas roupas do mesmo jeito, a cama dos ciganos é dentro da barraca no chão, ali domem, a esposa, o marido e os filhos, apesar de muita gente chegar a achá-los mendigos, eles não o são, apenas tem outro modo de ver a vida aqui na terra, a natureza faz parte da vida deles, o sol, a lua, a chuva e até os insetos.

Quando escolhem um lugar para acampar e montam suas barracas vem logo alguém preconceituoso para colocá-los para fora, isto porque acreditam no que antepassados antigos foram passando de geração a geração sobre o povo cigano.

Infelizmente até hoje ainda tem pessoas que não perceberam que os verdadeiros ciganos não estão nem ai para gadjos, ou seja não querem nosso mal, não querem nossas terras, nem nossas casas, apenas querem ficar por um tempo, descansar para depois seguir pelas estradas afora desse mundo grande de Duvvel, (Deus).

Mas infelizmente até hoje é muito difícil quem aceite conviver com o diferente, não é verdade?

Espero que no futuro o ser-humano de uma forma em geral, aprendam que não os ciganos, mas todo mundo que é um pouquinho diferente, são seres humanos iguais a todos, pois todos nós somos filhos do mesmo Deus, que nos criou, e criou todo o Universo.

Cada um de nós tem a sua verdade e a sua realidade, cada um segue o modo de vida que quiser e isso não nos torna nem melhores nem piores que qualquer outro ser-humano.

Se o povo cigano não quer viver entre concretos, eles tem esse direito, o povo cigano tem suas tradições e suas crenças, vamos aprender a respeitá-los como eles o são, pois se olharmos pelo outro lado veremos também que eles sempre souberam atrair a atenção dos outros pela sua forma de vida, seus costumes, suas leis e suas crenças, sua tradições e principalmente seus conhecimentos sobre magias e incluindo a mais solicitadas de todas que é a magia do amor. Os ciganos são magos na pura concepção da palavra pois eles conseguem se integras harmoniosamente com a natureza e nela extraem os “remédios” para todos os tipos de males.

Nascimento e Morte no Povo Cigano.

Untitled - 9O povo Cigano tem um grande respeito pela vida, seja ela, animal, vegetal ou humana, os animais que eles matam são apenas para seu consumo e para matar a fome do clã, o povo cigano não mata por esporte, nem animal nem planta, vivem em profunda harmonia com a natureza, tirando dela apenas o necessário para suas provisões, logo não é de se admirar que o nascimento de uma criança cigana é motivo de grande mas grande festa mesmo se estendo por 02 ou 03 dias.

Cada criança cigana que nasce é uma esperança na continuidade da cultura desse povo maravilhoso, as crianças são consideradas por eles como um ser especial que vem trazendo uma mensagem de esperança e acima de tudo de continuidade do clã. Se for o primogênito do casal representa a inauguração de uma nova família, e também o jovem pai ganha prestígio, autoridade e responsabilidade iguais a dos mais velhos, a mulher também se beneficia com a maternidade, já que deixa de ser bori (nora) para virar mãe, isso dá muito mais autoridade a cigana, que antes tinha que se sujeitar a sogra..

Essa criança poderá ser batizada em uma ou mais religiões, o povo cigano faz questão do batismo as vezes em várias religiões pois acreditam que isso trará sorte para a criança, no decorrer de sua vida, porém um dos rituais mais importantes e que é feito apenas a moda cigana é o ritual do nome da criança, sua realização começa no momento da primeira mamada, quando a mãe fala em seu ouvido de forma que apenas a criança escute o seu nome secreto, que ninguém mais conhecerá e que a criança só ficará sabendo no dia do seu próprio casamento, mais tarde, nos festejos, a criança receberá um segundo nome, este para ser usado e conhecido no clã e finalmente, terá também um terceiro nome, este para ser usado apenas no mundo dos gadjós.

Assim começara a ser forjada a identidade cigana dessa criança, seu primeiro mistério e a relação diferenciada com o mundo dos não-ciganos.

Na maioria dos clãs, logo que a mulher está para dar a luz, trazem as vezes 03 parentas chegadas que a acompanham até o nascimento da criança (chinorré), do lado de fora do local do parto, os visitante rezam cantos sagrados a Duvvel, para suavizar o sofrimento da mãe e dar proteção à criança que está para vir ao mundo.

No pescoço da mãe pendura-se patuás, figas e talismãs milagrosos, sem se esquecer das rezas que estão sendo feitas pelas 03 parentas, o rosto da mãe é soprado, pois não podemos esquecer que o sopro exerce um ritual mágico e religioso, o homem foi criado pelo sopro de Deus, a vida se mantém pelo sopro e com ele vai embora (ultimo suspiro), se você reparar no batismo católico o padre sopra o rosto da criança no ritual de batismo, resumindo todos os cuidados eram tomados de forma que a mãe não morresse no parto, pois este evento para os ciganos e tido como a maior desgraça!

Nascida a criança , era avisado imediatamente as pessoas que estavam do lado de fora, “chegou ao mundo dos vivos um menino (a), e todos cantavam agradecendo a graça, em alguns clãs a criança é lavada com água e vinho em uma bacia de prata, dentro dessa bacia eram também colocados colares e moedas de ouro, flores, ervas, frutas e madeiras aromáticas para que a criança tenha assegurada sua boa sorte, prosperidade e saúde, depois disso feito do corte do cordão umbilical, a criança linda, embrulhada em linho branco bordada, perfumada e devidamente defumada com alfazema, o pai pega a criança no colo da-lhe um beijo, a mãe era preparada para as visitas, recebia os presentes em nome do recém-nascido. Ouro e objetos muito valiosos eram vendidos para ajudar na compra do enxoval.

A alguns clã ciganos da Europa que fazem fogo na entrada de sua casa ou tenda (uma criança nascida em acampamento cigano nasce numa tenda e nunca numa carroça essa tenda é chamada de “o bender” ) o fogo serve para afastar os maus espíritos, de quem os ciganos escondem o verdadeiro nome da criança. Depois a criança é apresentada para a lua por uma shuvani (feiticeira) ou pela Baba (mulher mais velha) do clã, ela balança a criança mostrando para a lua e implora a mesma mais ou menos com os seguintes versos ” Lua Luar, tome esse filho e me ajude a criar, ou podemos ainda dizer Lua, Lua, leva esta criança para andar e criar e após criada torne a me dar (este costume de apresentar a criança a lua, tem registro no Brasil e em Portugal, a Lua Cheia é considerada a madrinha das crianças, como também tal tradição se registra nos clãs mamuches, matchuaias e Kalóns que vivem no interior do Brasil).

As vezes no batismo a criança era totalmente imersa na água, outras vezes se derrama a água sobre o corpo da criança, esta água ficará em um cântaro e, antes de banhar o bebê deverá ser passada pela lâmina de uma faca ou punhal bem afiado, porque, se acredita que a força do punhal será passada para a criança dando-lhe proteção, a água deverá ser fria e colhida de um riacho ou cachoeira.

Além desse ritual que é feito pelos pais e comemorado pelos avós da criança, os ciganos costumam consagrar o bebê a um santo protetor e no dia de seu aniversário (slava) este santo protetor também será reverenciado no dia anual do santo protetor.

Devido ao modo de vida sedentário que hoje temos no mundo, e pelo próprio desenvolvimento globalizado do mundo, essas tradições estão ficando cada vez mais perdida nas brumas do tempo, porém com certeza ainda até nos dias de hoje existem ciganos que cumprem sua tradição e seus costumes religiosamente.

A MORTE

DSC_0116Os ciganos da Europa acreditam que quando se ouve um pio de coruja distante é sinal que uma pessoa muito próxima a nós irá morrer, porém se o pio da coruja é alto e forte, uma pessoa distante passará entre os mundos dos vivos e dos mortos.

Quando uma pessoa anciã do clã esta doente e sua morte foi prevista, é avisado a todos os seus parentes de longe e de perto não importa aonde estejam, a vida, doença e morte do ancião é prioridade sobre todos os outros assuntos.

Várias providências serão tomadas em favor do doente: o doente nunca ficará sozinho, até o seu último suspiro. Este momento é de muita união dentro do clã, mas é um momento que se manifesta muito pouca emoção, em relação ao doente.

Quando o doente morre os ciganos acreditam que seu espírito ficará entre o mundo dos vivos e dos mortos até que seja feito o enterro, eles acreditam que tem que se facilitar a passagem do doente para o mundo dos mortos, e, para isso é chamado um Kaku (feiticeiro) e uma shuvani (feiticeira), esse ritual é feito no silêncio das florestas e próximo a água corrente, sem que ninguém do clã saiba.

Uma pequena fogueira é acesa, bem distante do fogo da cozinha logo que a pessoa morre, o fogo deverá ser feito de uma forma que não se apague, coloca-se em suas chamas, tomilho, sálvia, alecrim e eucalipto, porém deve seguir essa ordem o nome do morto deverá ser repetido 09 vezes enquanto o Kako ou a Shuvani dá sete voltas em sentido anti-horário em torno da fogueira, depois o fogo deve se apagar sozinho e lentamente.

Feito o enterro, todo mundo participa dos rituais da pomana (feito após a morte e enterro) este ritual é em homenagem ao morto, nesse ritual todas as comidas prediletas do falecido será servido de forma cuidadosamente preparada e decorada para tal evento, e o lugar do morto a mesa estará assegurado, a partir desse momento o morto será lembrado, e sua memória reverenciada por todos, afinal eles acreditam que o espírito do morto esteja protegendo o clã, sendo ele mais um mensageiro entre o clã e Duvvel.

  Extraído do Curso de Tradições, Magias, Tarot e Oráculos Ciganos.

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