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“Nosce te Ipsum”
(Conhece-te a ti mesmo) 
na entrada do Templo de Apollo em Delphos 
        Um dos meus temas preferidos… e o mais legal é que podemos pensar em vários exemplos de oráculos quando pensamos em Bruxaria Italiana.

        Honestamente, eu acredito na estreita relação do oráculo com o estudo das religiões ou religiosidades pagãs. Primeiro, por que faz parte da tradição popular, quero dizer, muitas das senhoras responsáveis pelas curas das comunidades também eram os oráculos desses lugares. Segundo, porque faz parte das nossas práticas modernas e os oráculos saem das penumbras do conhecimento para tomar o mundo!

         Mas claro, podemos ir mais além em “formalidades”: sem dúvida houve Delphos, mas também as histórias das Sibilas no mundo romano, sendo a Cumaíca a mais famosa (em sua gruta perto de Nápoles). Hoje também temos ciganas lendo baralhos ou mãos em Roma ou brasileiras lendo tarot para as italianas em Florença.

         Tarot ainda que é uma das minhas paixões que me leva a montar um flog** e colecionar cartas. Sinto até que o tarot me ajudou a construir meu Caminho, a entender como as coisas acontecem e quem sou eu nesse plano. Talvez quem lide com o tarot ou outro oráculo, com o tempo tenha o mesmo sentimento.

         Aliás, a história da Itália com o tarot é vasta e interessante. Embora pouco se saiba sobre a origem do tarot, sabemos que o seu conceito passou por muitos lugares ao longo do tempo. Desde o Egito e o livro de Thot até as peregrinações ciganas pela Europa, as cartas e seu jogar tornaram-se grandes na Itália, ou melhor, nos diversos reinos da península a partir da Idade Média, mas com grande destaque no Renascimento. Vários exemplos são dados e o interessante é que com o tempo e o local as cartas mudam, em estrutura, nome ou quantidade. Só a título de curiosidade:
– dizia-se que os ciganos levaram as cartas de jogar para a Itália, mas sua chegada é posterior aos registros das primeiras cartas – séc. XV;
– muitos baralhos se desenvolveram nas cidades italianas: o Mantegna, com 50 cartas; o de Veneza, com 68; o de Bologna, com 62 cartas já contando com os naipes usuais; o Minchiate de Florença com 78 cartas e o Visconti Sforza de Milão.

         Cada um desses baralhos não são o que podemos chamar hoje de tarot, mas certamente trazem suas origens e conceito.

         Exemplos dignos de nota, sem dúvida… mas e daí? O que vale o oráculo? Será que ser bruxa implica em desvendar o futuro alheio ou saber se o marido da Fulana vai voltar?

         Resposta: um grande e redondo NÃO! Claro que tudo isso ajuda e em parte, é parte do trabalho da strega aliviar o coração das pessoas – nem que for sobre homem… ai ai!

         Precisamos saber que dentro de nós reina um EU que não é tão simples de desvendar. Temos sim uma vela quando olhamos para dentro de nós, mas quando aprendemos a lidar com uma ferramenta como o tarot, por exemplo, cada arcano vivido e entendido passa a ser uma lâmpada permanentemente acesa dentro de nós, que elucida ao longo do Caminho o EU, o Divino que somos…

        Independentemente do tipo de oráculo que operamos, o que importa aprendemos sobre símbolos e sobre insights. Viver os arquétipos dos oráculos nos dão ferramentas para crescer e lidar com as nossas próprias vidas. Eu acredito que os arcanos ou as runas ou os búzios – qualquer um deles – são Caminhos para atingirmos o que chamamos de Eu Divino, Eu Interior, o EU… assim há crescimento e passamos a entender melhor o que acontece ao nosso redor. Se prestarmos séria atenção aos arquétipos e se estamos em contato freqüente com eles,  vemos eles acontecendo, diante dos nossos olhos, modificando nossos corações.

        Uma dica para entrar em contato pessoal com esses arquétipos é trazê-los, pelo menos uma vez por mês, para nós, para nosso Caminho. Como contarei em um próximo texto, parte do meu ritual em honra à Lua Cheia consiste na entrada no Oráculo, consultando o tarot e vivendo aquele arquétipo durante a lunação. Com o tempo percebemos que ele se manifesta fisicamente… Acredito que podemos chamar isso de milagre pelo que aprendemos e pelas luzes repentinas que percebemos…

        São como pequenas estrelas que aparecem no céu, apontando um caminho.

Lux!

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Pietra di Chiaro Luna
Este texto é a introdução ao livro 
Stregheria – Vecchia Religione da Itália
Para ter acesso a conteudo completo
entre em contato com a Pietra.

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