Uma poesia libertadora de Raul Seixas.

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Nascer horrendo e triste
E cego e louco.
Sem mãe, sem pai, sem fé, sem nada
Um pouco de lama abandonado no caminho,
Sem ter de meu um gesto de carinho.
Nascer assim? Tá bem.
Mas nascer livre.

Viver desiludido, abandonado.
Viver desconhecido ou desprezado.
Beber do ódio sempre o amargo vinho.
Viver sem um amor!
Viver sozinho…
Viver assim… Tá bem
Mas viver livre.

Morrer sem no momento da partida
Uma lágrima notar mesmo fingida.
Morrer… abandonado num caminho,
Sem ter de meu um gesto de carinho.
Morrer assim? Tá bem.
Mas morrer livre.

                                                            Raul Seixas

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