Gerard Anaclet Vincent Encausse
(La Coruña, 1865 – Paris, 1926)

   
Papus nasceu em solo espanhol no dia 13 de julho de 1865. Desde muito cedo teve um forte interesse pela humanidade, a quem achava-se no dever de auxiliar. Foi assim que diplomou-se, de forma brilhante, pela Faculdade de Medicina de Paris.  Como médico, ele sempre foi um verdadeiro sacerdote. A segurança de seus diagnósticos e a postura dedicada junto aos pacientes levou o jovem Gerard a ocupar cargos de grande destaque, inclusive o de Chefe do Hospital de Caridade de Paris. Porém, ele havia nascido para ir muito além do corpo e da mente do homem. Ele veio ao mundo para ser um desbravador da alma humana e um profundo pesquisador dos mistérios escondidos no espírito do universo… 

    Foi levado ao ocultismo por seu amigo Stanislas de Guaita e teve como iniciador o ilustre Marques Yves d’Alveydre. Mergulhou no esoterismo de corpo e alma. Adotou o pseudônimo de Papus (nome do gênio da medicina), pelo qual é conhecido até hoje. No inicio de suas pesquisas, foi atraído pela Teosofia e pela Metafísica oriental, porém, logo se afastou destes princípios, tornando-se um dos criadores da escola de ocultismo ocidental.  Foi reorganizador e presidente do Conselho Supremo da Ordem Martinista, presidente da Ordre Kabalistique de la Rose Croix, presidente da Sociedade Magnética da França e grão mestre de alguns ritos maçônicos.
    Sua produção literária é longa: Tratado de Ciências Ocultas, Tratado Elementar de Magia Prática, O Tarot dos Boemios, A Triade Iniciática, A Doutrina de Eliphas Levi, etc. Obras de leitura obrigatória para a compreensão do esoterismo.
    Para completar sua obra deixou seu filho, Philippe Encausse, que nos brindou com a obra fundamental do ocultismo místico:
“O Mestre Phillippe de Lyon: Taumaturgo e Homem de Deus”.
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pappusDesenvolvendo a Vontade
 Texto de Papus – Retirado de Hermanubis Martinista.

Para educar a Vontade e a percepção extra-sensorial são necessários esforços em forma de exercícios que o iniciado deve praticar regularmente aliados aos estudos das ciências ocultas, assim denominadas – ocultas – porque seus estudiosos mantêm extrema discrição sobre suas pesquisas uma vez que as realidades por eles investigadas há muito não são reconhecidas pela ciência positivista oficial. Como o termo ciências ocultas tem algo de impreciso, cumpre aqui enumerar os principais campos de conhecimento por elas abordados de forma que sua compreensão se torne mais clara. São exemplos de ciências ocultas:

Bio-psicologia – conhecimento da constituição e funcionamento dos múltiplos aspectos do ser humano
Psicologia – dos tipos humanos, Astrologia e cosmologia – o conhecimento das influências do cosmo e do nosso sistema solar e suas relações com o homem, a humanidade e a natureza do planeta.
Psiquiatria relacionada ao conhecimento dos variados estados de consciência – além dos dois mais conhecidos: sono e vigília.

Semiótica – conhecimento dos signos, especialmente os símbolos e das formas alegóricas que ocultam o significado oculto dos mitos, dos ritos e dos talismãs.
Artes divinatórias – conhecimento dos oráculos como instrumentos auxiliares de análise da realidade. Dentre os oráculos, no ocidente, destaca-se o Livro do Taro.
Teosofia – estudo metafísico em torno de temas como a ideia de Deus e de deuses, a origem de todas as coisas, antropogênese etc.

Medicina hermética – que trata das das moléstias causadas por influências psico-astrais e do uso de substâncias, rituais, talismãs, banhos e regimes alimentares como recursos terapêuticos.
Entre os exercícios de fortalecimento da Vontade destacam-se aqueles que visam a educação da palavra, do gesto e do olhar, a meditação e os exercícios respiratórios, tudo isso com o objetivo de desenvolver a capacidade de concentração da força ‘mágica’ por meio da qual se opera sobre as realidades visíveis e não visíveis. Essa força mágica é o pensamento que vai ser projetado para a ação justamente por meio de palavras, gesto e olhar. Note-se que todos esses conhecimentos são utilizados em conjunto na execução de qualquer operação mágica. O que parece complexo, com a prática torna-se um agir tão natural quanto estender a mão e pegar um objeto. Tendo consciência de todos os aspectos visíveis e não visíveis sobre si mesmo e sobre a situação com a qual está lidando, o magista estará apto a exercer, com segurança, ações sobre sua própria pessoa e sobre o mundo exterior.

De tudo que foi exposto, fica claro que ” … antes de agir sobre a natureza o homem deverá ser suficientemente senhor de si mesmo… [p.125]” . Para finalizar, convém ainda esclarecer que, ainda segundo Papus, sob o termo geral Magia encontram-se na verdade 3 formas de ação hiperfísica pertinentes a diferentes aspectos da realidade, diferentes esferas ontológicas, sendo que:
1. Magia – é a ação do homem sobre a natureza objetiva, incluindo aí ele próprio.
2. Teurgia – ação do homem sobre os seres do plano divino.
3. Psicurgia – ação do homem sobre o mundo das almas humanas

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