A Marca da Besta

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Reguli, estrela real do coração do leão, o primeiro decanato de leão.
Cornélio Agrippa, no seu livro “A filosofia oculta” traça equivalências entre as constelações fixas e os planetas. Quando se refere à constelação de Leão, em especial o 21°, o real coração do Leão, Agrippa associa a natureza do coração de leão a Júpiter e Marte.

Marte e Júpiter são perfeitos como sintetizadores do Vel Reguli, o banimento maior do pentagrama Thelêmico, ou seja, a energia de Marte, ainda acompanhado da de Júpiter. Geburah e Chesed respectivamente.

Chesed é o elemento equilibrador de Geburah, ela é a primeira Sephira abaixo do abismo (a interligação entre ela e Chockmah é o Hierofante, que será oportunamente abordado neste ensaio), então nada mais lógico que usá-la como elemento de atração das energias do Aeon.

Estes elementos unidos formam um dos mais potentes rituais de todos os tempos.

A era de Peixes teve, como toda era, um eixo (Peixes-Virgem), e na nova era o eixo é Aquário-Leão. Leão é a sombra, o oposto complementar de Aquário, a Besta (leão) que leva a nova era nas costas (Aquário) ou Nuit (a carta “A Estrela”).

Os dois podem ser vistos em êxtase na carta a Volúpia (a Força, no tarot vulgar)(Lust). A letra Teth, que liga Chesed a Geburah (a mesma atribuída a Leão), está as margens do abismo de Daat, o mesmo abismo de onde surgiu a Besta. O Vel Reguli traz as energias da corrente mágica 93 para o mundo.
 

Lust

Nós, “seguidores” (lembrando que a palavra é apenas uma alusão, pois um Thelemita só segue a si mesmo, ou melhor, a seu SAG) de Thelema, do Logos do Aeon Aleister Crowley temos um estigma, A Marca da Besta, a marca de Caim. To Mega Therion fala muito bem a respeito dela no Liber 418* (*para se aprofundar no assunto leia Demian, de Herman Hesse), transcrito no Livro de Thoth (publicado no Brasil pela Madras-Anúbis):

“Há uma lenda Assíria de uma mulher com um peixe e há também uma lenda de Eva e a Serpente, pois Caim era o filho de Eva e a Serpente e não de Eva e Adão; e, portanto, quando ele assassina o seu irmão, que foi o primeiro assassino por ter o sacrificado coisas vivas ao seu demônio, Caim recebeu a marca em sua fronte, que é a marca da Besta referida no apocalipse e o sinal da iniciação .
 

Convém lembrar que 666 (também o valor numerológico de To Mega Therion, A Grande Besta) é o quadrado mágico do sol, o que equivale, a grosso modo, a dizer que é o sol a energia que dá origem a toda a vida, então quando comemos um cheeseburger, tomamos vinho ou até mesmo quando colocamos combustível em nossos carros, no fundo estamos usufruindo da energia do Sol, “o criador e doador da vida.

No Vel Reguli o pentagrama é invertido, uma alusão à carta numero XV, O Diabo e também à descida do espírito na matéria. O leitor se lembra das atribuições dos elementos ao Pentagrama, ele estando invertido o espírito desce sobre o mundo com a energia do Aeon.
 

Diabo

Para entendermos melhor essa energia, faz-se mister entender o estudo de Baphomet, o leão-serpente. Esta figura mítica tecnicamente foi adorada pelos templários e representa dentre outras coisas o Senhor do Astral. Ao usarmos o pentagrama invertido, estamos invocando essa energia. O Baphomet é, inclusive, uma representação do Eu Superior (SAG), em especial dos caminhos que saem de Tiphareth ligando a sephira a Hod, Yesod e Netzach. Bem, o caminho que liga Tiphareth a Hod é a carta O Diabo – Ayin (olho). O que liga Tiphareth a Yesod é a Arte – Samekh (coluna), e o que liga Tiphareth a Netzach é a Morte – nun (peixe).

O Baphomet é formado por estas três cartas, ou melhor, a energia da Besta se lança para o mundo por essas três formas. O Baphomet tem escamas de peixe em seu ventre, uma referência à carta da Morte, une em si o masculino e o feminino, por ter um falo e seios, uma representação da carta da Arte. A cabeça de bode fica por conta da carta do Diabo.
 

Não podemos nos esquecer de Lúcifer, Netzach na Árvore da Vida, a “Estrela da Manhã” (Vênus), ou Jesus Cristo (de acordo com ele próprio). A raça humana, segundo a Bíblia, foi criada em uma sexta-feira, um dia de Vênus. Ele é o portador do archote, o divino Prometeu.

No ritual da Marca da Besta, as energias do novo Aeon são trazidas por essa figura de Baphomet, que representa a fusão da Mulher Escarlate e da Besta saídas do Abismo, união representada em Tiphareth pelo ser híbrido. Pelos três caminhos acima citados, as energias são a nós trazidas, portanto o Ritual nos fornece as energias vindas diretamente de cima do Abismo.
 

Há portanto uma união dos dois princípios (Mulher e Besta), representada por Baphomet, uma conspurcação do Inefável, já que a blasfêmia é a maneira de trazer o Incognoscível ao nosso mundo, aterrador como tudo o que é novo, e simples como todas as verdades.

Marcos Torrigo

Marcos Torrigo com os fundadores do Imagick
Parte do livro de Rituais de Aleister Crowley

 

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