Somos Todos Mentirosos? – Quantas vezes temos o direito de mentir?

Quantas vezes temos o direito de mentir?

pinoquio6[1]Mentimos. E não a pouco: em media, duzentas vezes por dia, segundo Jerald Jellison, um psicólogo americano. Mas quantas vezes temos o direito de mentir? Nunca, segundo Santo Agostinho e Kant. Algumas vezes, diz Maquiavel. Depende a quem mentimos, e por que, dizem outros. Mas até hoje desconhecemos a cota aceitável que nos seria permitida. Bok, a esposa do presidente da Universidade de Harvard, fez uma pesquisa que publicou num livro intitulado Lying (Mentindo). Diz ela que Hugo de Groot (1583/1645), membro do Conselho dos Paises Baixos, acha que podemos mentir a um assaltante. Kant (1724/1804) não concorda. Devemos falar a verdade ainda que seja a um assassino que esteja para tirar a vida de um inocente. O cardeal Newman (1801/1890), inspirador do modernismo católico, é da mesma opinião   a verdade, custe o que custar. A solução para o caso do assassino: dar lhe uma boa bordoada a chamar a policia.

E quanto às mentiras sociais e de conveniência (quando, por exemplo, nos telefonam a mandamos dizer por alguém: “Não chegou ainda” ou “Não está”)? Os casuístas acham que podemos mentir se fizermos uma ressalva mental: “Não estou para você”. A pessoa que transmite o recado mentiroso teria que fazer o mesmo.

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O Talmud concorda em que um indivíduo minta sobre sua vida sexual e também sobre anfitriões generosos para evitar que sejam importunados por pessoas que queiram aproveitar se de sua bondade a hospitalidade.

Bok, a autora, é da opinião de que os médicos devem parar de enganar seus pacientes e que as universidades devem descobrir e anular todas as pesquisas fraudulentas e enganosas. Diz ela que os profissionais, de modo geral, estão aceitando a mentira como parte de sua profissão.

Quanto ao governo, o público tornou se tão cínico com as mentiras que ele prega, que só um esforço extraordinário poderá criar um clima de confiança. Para isso, Bok propõe que se estude um código de ética, previamente aprovado, para que os líderes governamentais não se sintam à vontade para mentir e enganar o povo, manobrando a verdade e distorcendo os fatos. E todos os membros do governo serão forçados a manter uma reta linha de conduta! 


Segundo Mark Twain: Faça-se sempre o que é correto. 
Alguns ficarão contentes. Outros ficarão atônitos.

Publicado no The Times

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