Aïvanhov

aivanhovOmraam Mikhael Aïvanhov
(Bulgaria, 1900 – França, 1986)
Famoso mestre espiritualista, o Mestre  Omraam Mikhael Aïvanhov,  nasceu na Bulgária.
No ano de 1937  mudou-se para a França,  onde transmitiu  o seu pensamento esotérico.

Lá criou a  Fraternidade Branca Universal 

 

Quando nos deparamos com a sua vasta obra, ficamos espantados com a multiplicidade das abordagens que ele faz sobre o assunto: 
O Homem e Seu Aperfeiçoamento. 
 

Não importa qual o tema escolhido ele, invariavelmente, girará em torno do homem e em função do uso que ele pode fazer com este tema, buscando como objetivo final, obter uma maior compreensão de si mesmo e de como melhorar a sua conduta na vida.

 

Palavras do mestre:Existem no universo dois princípios fundamentais que se refletem em todas as manifestações da natureza e na vida, aos quais se chama “princípio masculino” e “princípio feminino”. Toda criação é obra deste dois princípios, que são a repetição dos dois grandes princípios cósmicos: O Pai Celeste e a Mãe Divina, dos quais o homem e a mulher são um reflexo. Por toda a natureza, são sempre estes dois princípios que vocês verão sob diferentes formas e dimensões. Poderão ver também no ser humano, não só seu corpo físico, mas também no seu ser psíquico, onde o espírito e o intelecto representam o princípio masculino; a alma e o coração, o princípio feminino. Estes dois princípios devem obrigatoriamente trabalhar em conjunto; separados, são improdutivos, e por isto estão sempre a procura um do outro…

 

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COMO RECONHECER UM VERDADEIRO MESTRE ESPIRITUAL

 

avanhovPara alguns discípulos, encontrar o seu Mestre é encontrar uma mãe que aceita trazê-lo nove meses no ventre para fazê-lo nascer no mundo espiritual. E, depois de nascer, isto é, desperto, os seus olhos descobrem a beleza da Criação, os seus ouvidos ouvem a palavra divina, a sua boca saboreia alimentos celestes, os seus pés levam-no aos diferentes lugares do espaço para fazer o bem e as suas mãos aprendem a criar no mundo sutil da alma.

Muito poucas pessoas sabem o que é realmente um Mestre. Algumas leram livros que contam histórias inverossímeis: que um Mestre é perfeito, onisciente, onipotente…. que ele não tem necessidade de comer, nem de beber, nem de dormir… que ele está ao abrigo de todas as tentações e, sobretudo, que passa o seu tempo a fazer milagres, como no livro de Spalding: “A Vida dos Mestres”.

Quantas pessoas não ficaram exultantes com este livro sem suspeitarem de que contém imensas histórias sem fundamento. É verdade que os grandes Mestres têm poderes excepcionais, mas não os utilizam para fazer prodígios diante de gente embasbacada. Aparecer e desaparecer, caminhar sobre as águas, voar no espaço, materializar festins, atravessar as chamas de um incêndio, fazer aparecer casas… mesmo que seja capaz de fazê-lo, um verdadeiro Mestre não o fará, pois assistir a tais espetáculos não ajuda os humanos a transformarem-se…

Um Mestre – é necessário que você o saiba – é feito como todos os outros homens: tem os mesmos órgãos, que o fazem sentir as mesmas necessidades e os mesmos desejos. E se lhe cortar um pedaço de carne, verá que seu sangue correrá e que a sua cor é vermelha como o de toda a gente! A diferença está em que a consciência de um Mestre é muito mais vasta do que a da maioria dos homens: ele tem um ideal, pontos de vista superiores e, sobretudo, conseguiu um perfeito domínio sobre si próprio. Evidentemente, para tal é necessário imenso tempo e um trabalho gigantesco, e por isso ninguém pode tornar-se Mestre numa só encarnação.

Se você encontrar um Mestre, tenha consciência de que todas as qualidades e virtudes que ele manifesta não foram adquiridas apenas nesta vida. Não, ele teve que trabalhar durante séculos, milênios até, e, como as qualidades que adquirimos pelo nosso próprio trabalho não desaparecem no momento em que temos de deixar a terra, quando regressa ele traz de novo essas qualidades. Assim, de encarnação em encarnação, ele vai adquirindo sempre novos elementos espirituais até ao dia em que torna-se um verdadeiro condutor da luz e das virtudes divinas.

Infelizmente, há também seres que se preparam durante séculos para se tornarem condutores do mal; são os mestres da magia negra. O ser humano é livre de escolher o bem e o mal. É claro que, quando escolhe o mal, mesmo que a Inteligência Cósmica o deixe continuar durante um certo tempo, ele acabará sempre por ser aniquilado, dado que, pelo seu comportamento, se opõe à ordem universal. Mas, à partida, o ser humano tem a hipótese de escolher. Enquanto vivo, é livre de se determinar num sentido ou no outro.

Alguns seres, muito raros, apesar desta liberdade que lhes é concedida, permanecem definitivamente determinados. Os grandes Iniciados, por exemplo, determinaram-se para a luz e para o amor. Alguns, é certo, caíram, mas a maioria deles permaneceram espíritos de luz. E, aliás, quanto mais tempo passa, menor é a possibilidade de mudarem de direção, pois, graças ao seu trabalho espiritual, eles foram conseguindo transformar, divinizar, a matéria do seu corpo e esta tornou-se como que um metal inoxidável, ouro puro.

Contudo, enquanto um ser não chega a este estado de evolução, é sempre possível ele mudar de direção, e existem casos na História em que magos brancos tornaram-se magos negros.

Pergunte como é possível alguém tornar-se um mago negro… Na realidade, é muito fácil, mesmo para você: basta dar vazão à sua natureza inferior. Se transgredir continuamente as leis da bondade, da justiça e do amor, tentando obter êxito à custa dos outros, tentando derrotá-los, destruí-los, só poderá tornar-se um mago negro. É simples, é claro. Muitos imaginam que, para alguém se tornar um mago negro, é necessário que um mestre diabólico lhe ensine a arte dos encantamentos e dos esconjuros maléficos. Isso pode acontecer, mas, para alguém colocar-se ao serviço do mal, não é absolutamente necessário ter um mestre; sem instrutor, sem receita, sem nada, qualquer um pode tornar-se um mago negro se deixar-se guiar demasiado pela sua natureza inferior. E o mesmo se passa com um homem que só pense em ajudar e em esclarecer os outros: mesmo que não tenha um Mestre para o instruir, estará a caminho de tornar-se um mago branco.

Na realidade, cada ser humano tem um Mestre, e se não for um Mestre visível, será um Mestre invisível. Os criminosos têm, no mundo invisível, um mestre que não cessa de aconselhá-los a prejudicar os outros. E mesmo que eles digam:

“Nós, um mestre? Nunca!”, devem ficar a saber, estes cegos, que têm um mestre cujos conselhos perniciosos seguem dia e noite.

É evidente que, quando eu lhe falo de Mestres, refiro-me sempre aos verdadeiros grandes Mestres espirituais, aos magos brancos. Sei bem que se dá este título de Mestre a muitos artesãos para se mostrar que são excelentes na sua profissão e também aos notários, aos magistrados, aos artistas, etc… É uma maneira de ver as coisas e eu não lhes recuso este título. Mas, você deve saber que um verdadeiro Mestre, no sentido espiritual do termo, é um ser que, em primeiro lugar, conhece as verdades essenciais; não aquilo que os homens escreveram, criaram ou contaram, mas o essencial segundo a Ciência Cósmica.

Em segundo lugar, um Mestre deve ter tido a vontade de dominar, dirigir e controlar tudo em si, e realizado essa vontade. Por último, esta ciência e este domínio que ele adquiriu devem servir apenas para manifestar todas as qualidades e virtudes do amor desinteressado.

É pelo seu desinteresse que reconhecerá um verdadeiro Mestre. Cada Mestre vem à terra para nela manifestar uma qualidade particular: há, portanto, Mestres da sabedoria, Mestres do amor, ou da força, ou da pureza… Mas todos os verdadeiros grandes Mestres têm, obrigatoriamente, uma qualidade em comum: o desinteresse.

Há tantos impostores e charlatães dispostos a aproveitarem-se da ingenuidade dos humanos!

oma 1Limitaram-se a ler livrecos de ciências ocultas, muitas vezes escritos por ignorantes, e pronto! Passam a apresentar-se em todo o lado como grandes Mestres. Não trazem consigo qualquer sinal de que o Céu os reconheceu como tal; foram eles próprios que se declararam Mestres e acreditam que isso chega.

E os outros, em vez de estudarem um pouco um ser destes para ver como ele se comporta, seguem-no de olhos fechados. Ele irá enganá-los, despojá-los, subjugá-los, mas eles não se darão conta. Bom, é magnífico, eis pelo menos um ser inteligente! Os outros é que são estúpidos. Porque não procuraram saber de onde é que ele vem, como vive, quem foi seu Mestre, quem o enviou?… Ah, não, não, é inútil colocar essa questão; desde que ele lhes prometa iniciá-los em três dias – a troco de alguns milhares de dólares, é claro – acreditam nele.

Têm pressa, compreende? A iniciação não deve durar mais do que três dias. O mundo está cheio de gente desta, de burlões, de vigaristas, que se aproveitam da ingenuidade e da estupidez dos outros. Mas eles, pelo menos, são inteligentes!

Não nego que essas pessoas possam ter alguns poderes – qualquer um, desde que se exercite, pode obter certos poderes -, mas a questão está em saber como os empregam e em que sentido. É a esse respeito que o Céu se pronuncia. O Céu não se preocupa com os meios que possui, mas com o uso que deles faça. O que conta para o Céu não é sua ciência, nem sua clarividência, nem seus poderes, mas seu desinteresse. Você pode ter a ciência, a clarividência e os poderes, mas enquanto não for desinteressado, mesmo que os humanos o reconheçam como Mestre, o Céu não o reconhecerá.

A desgraça dos humanos é a sua falta de discernimento: ao encontrarem um verdadeiro Mestre, desinteressado, desconfiarão, mas seguirão o primeiro indivíduo que apareça e lhes lance poeira para os olhos, apresentando-se como Mestre. Na realidade, um verdadeiro Mestre, nunca lhe dirá que é um Mestre, nunca; ele deixará senti-lo e compreendê-lo, não tem pressa de ser reconhecido. Um falso Mestre, pelo contrário, a partir do momento em que decretou que é um Mestre, tem somente uma idéia: impôr-se aos outros.

Acabei de receber uma carta de um homem que acreditou ser capaz de tornar-se um guia espiritual: escreveu-me para contar as suas dificuldades e as suas angústias. Evidentemente, era de esperar. Por que motivo se pôs ele a enganar as pessoas com a pretensão de guiá-las, enquanto ele próprio não estava em condições de fazê-lo? Mas os humanos são assim, julgam-se capazes de guiar os outros antes de terem adquirido as virtudes necessárias: a sabedoria, o amor, a pureza, a força, o desinteresse. Não! Enquanto não se tiver recebido ordem de um ser superior para assumir a esmagadora tarefa de guiar os humanos, é muito perigoso, para quem quer que seja, querer desempenhar este papel.

Eu gostaria muito de ajudar este homem, porque vejo que ele é muito infeliz e nem sabe porquê. Imaginou que bastava ler alguns livros de ciências ocultas e pôs-se a evocar as forças poderosas do mundo invisível para as utilizar, sem ter aprendido previamente a entrar em harmonia com elas. Pois bem, quando assim é, essas forças vingam-se e dizem:

“Porque procura servir-se de nós para satisfazer os seus caprichos? Nós não queremos submeter-nos a você. É fraco e ignorante e merece uma boa lição.”

Quantos pretensos ocultistas não têm sequer um verdadeiro conhecimento das leis do mundo espiritual! Pode crer: eles leram alguns livros e, sem se prepararem, querem fazer figuras aos olhos de alguns discípulos, realizando prodígios perante eles. Pois bem, não é assim que se deve fazer.

Para se assumir o papel de guia espiritual, é necessário ter-se recebido um diploma, pois no mundo espiritual também se recebem diplomas. Os diplomas que existem no plano físico têm a sua correspondência no plano espiritual, à imagem do qual o plano físico foi criado. Os espíritos luminosos que nos enviaram à terra observam-nos, medem-nos e, se vêem que fizemos esforços, que conseguimos dominar-nos e corrigir alguns dos nossos defeitos, dão-nos o diploma. E onde está esse diploma? Não será um papel, que pode ser apagado ou destruído. É como um selo que se imprime no nosso rosto e em todo o nosso corpo, para mostrar que obtivemos vitórias sobre nós próprios. Talvez os humanos não vejam isso, mas todos os espíritos da natureza, todos os espíritos luminosos, o vêem, mesmo de longe, e então obedecem-nos e ajudam-nos.

Sim, para se ter o direito de executar certas tarefas no plano espiritual, é necessário obter também a aprovação de certos seres, e não pense que é fácil.

Muitas pessoas acham que os estudos necessários para se obter o diploma de educador ou de professor são muito demorados e difíceis. Mas isso não é nada, nada mesmo, comparado com as condições que têm que ser preenchidas por aqueles que querem ensinar aos discípulos as verdades da ciência iniciática.

Eu fico sempre espantado ao ver a ignorância e a ingenuidade das pessoas perante esta questão: todas, ou quase todas, crêem que estão à altura de poder usar o título de Mestre, imaginam que ele caiu assim do céu, já perfeito, sem Ter realizado o mínimo esforço.

Pois bem, você não encontrará criatura alguma que tenha vindo perfeita à terra. Quer a mostrem, quer a escondam, todos têm a fraqueza, ou mesmo várias.

Até os grandes Iniciados têm pelo menos uma fraqueza; por vezes é o medo, outras vezes o orgulho, ou a avareza, ou até a sensualidade. Mas a superioridade de um Iniciado advém-lhe, em primeiro lugar, de ele estar consciente dessa fraqueza e, em segundo lugar, do fato de empregar todos os meios para triunfar sobre ela.

Qualquer ser, independentemente da elevação do seu espírito, ao encarnar na terra, recebe dos pais como herança uma matéria mais ou menos defeituosa que deverá transformar, o que conseguirá graças às suas qualidades e virtudes.

E, quando o consegue, alcança uma elevação ainda maior, porque foi capaz de transformar uma matéria bruta em uma matéria elaborada de que poderá servir-se para o seu trabalho. É, pois, nos Iniciados que se descobre verdadeiramente a força do espírito, pois eles conseguem dominar tudo, ao passo que a maioria dos humanos arrasta consigo, durante toda a vida, defeitos que não consegue vencer.

No entanto, também é necessário que se saiba que um Iniciado vem à terra trazendo com ele as qualidades sobre as quais trabalhou nas encarnações precedentes. Graças a essas qualidades, ele afasta-se instintivamente do mau caminho e direciona-se, pelo contrário, para atividades construtivas, luminosas. Mesmo que não se lembre de nada, ele é impelido, sem se aperceber, a caminhar na mesma direção que seguiu no passado. Pela minha parte, durante muito tempo não tive qualquer lembrança das minhas encarnações, mas nasci nesta vida com marcas, registros, que me impeliram em uma determinada direção. 

Extraído do livro “O que é um Mestre Espiritual?”
Edições Prosveta; Portugal

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Acerca do Suicídio

OMA          Encha um copo de água pela metade e mostre-o a duas pessoas: uma diz que ele está meio cheio, e outra diz que ele está meio vazio. Para a maioria das pessoas, isto significa a mesma coisa, mas para a Ciência Iniciática revela duas mentalidades, dois processos psicológicos diferentes. Se você se fixar na plenitude, vai se sentir repleto; se se fixar no vazio, você será esvaziado. É uma lei mágica: quando um doente não pensa senão na sua doença, o seu estado piora, porque todo o pensamento negativo provoca a desagregação. Ele que pense em saúde, e esse pensamento curá-lo-á.

         Pode ser que lhe faltem muitas coisas, mas, se quiser que lhe falte ainda mais, fixe-se nessa falta!… Pense, antes, que você é herdeiro de uma imensa riqueza, e verá todas as melhorias que se seguirão. Aliás, o que falta aos humanos não é tanto o dinheiro, as casas, os carros… mas uma filosofia luminosa e divina, capaz de fazê-los sair de todas as fraquezas, de todas as dificuldades.

         Sim, é muito simples, extremamente simples. Alguns, seja o que for que se lhes apresente, estão habituados a ver o lado bom das coisas e das situações, ao passo que outros só vêem os inconvenientes. Bem entendido, uns e outros têm razão, mas esta “razão” age, interiormente, de duas maneiras diferentes. Do ponto de vista da verdade, pode dizer-se que um copo está meio cheio ou meio vazio, isso não tem qualquer importância; mas a ação mágica é diferente. E é precisamente isto o essencial. Habituando-se a ver as faltas, as lacunas, os defeitos, você vai ficando cada vez mais triste, desanimado, azedo. É o que acontece quando alguém se detém no que lhe falta. Que essas faltas existem, é evidente, a quem o diz!… Mas a questão não está aí; a questão está em saber trabalhar com o que se possui, para se melhorar.

          Para mostrar a alguns o quanto se enganam e fazem mal a si próprios, dizendo que lhes falta isto, que lhes falta aquilo, e sobretudo dinheiro – é da falta de dinheiro que todos se queixam mais! -, eu lhe direi: “Dou-lhe vinte milhões; dou mesmo, dou-lhe vinte milhões, mas… você me dará seus olhos.” Oh!, eles recusarão, soltando gritos. “E mais vinte milhões pelos seus ouvidos… vinte milhões pelo seu nariz… vinte milhões pelos seus braços… e mais vinte milhões pelas suas pernas.” Oh lá lá! Vai subindo, chegamos aos bilhões. Pois bem, mesmo perante esta soma, eles recusarão. Nesse caso, por que se sentem pobres? Eles são ricos, só que não viram isso. Não o viram porque são idiotas, e os idiotas têm sempre que sofrer, a sua cabeça tem que amadurecer. Não sou eu que o digo, é a Natureza.

          A Natureza é implacável: você pode gritar, chorar, ameaçar, que ela não muda nada; você é que tem que se inclinar, que obedecer, que se por de acordo com ela. Sim, ela é implacável, irredutível. Você dirá que ela é cruel… Não, ela só pensa em tornar os humanos inteligentes, belos e, sobretudo, felizes. Mas, quando vê que eles têm cabeças duras… O que você quer? É preciso que essas cabeças amadureçam, e para isso ela emprega métodos que só ela conhece. Quando a Natureza se empenha em relação a alguém, nem sequer lhe dá explicações, diz simplesmente: “Eu desejo o seu bem e, como não há outros meios para o tornar sensato, sou obrigada a usar estes.” Não se pode censurá-la. 

          Aceite esta filosofia que lhe mostra que você é filho de Deus, herdeiro de um tesouro que só espera o momento em que você seja capaz de o colher. O que faz falta aos humanos é uma filosofia, e não qualquer outra coisa; eles têm tudo em si e à sua volta e estão sempre a se queixar. São rabugentos – é isso! -, sempre rabugentos, porque lhes falta uma filosofia divina. É por isso que, quando eu vejo alguém fechado sobre si mesmo, sobre seus problemas, tenho vontade de lhe dizer: “Mas, meu pobre infeliz, como pode você ver alguma coisa? Você não sai, está sempre fechado em sua mansarda. Passeie um pouco, para poder ver a sua herança: todas essas florestas, essas montanhas, esses lagos, esses rios, essas estrelas… Você  compreenderá que possui uma imensidão, que nada lhe falta.”

          Os humanos parecem-se com aquele que caíra num lago e gritava: “Água, água, dêem-me água!” Eles estão mergulhados no oceano da luz cósmica, mas têm tantas carapaças que essa luz não consegue penetrar neles. Eis o atual estado de muitas pessoas no mundo: sentem-se infelizes, queixam-se, querem, até, suicidar-se. Não conseguem compreender que só elas são responsáveis pelo seu estado. A Inteligência Cósmica não tinha vontade alguma de reduzi-las a este extremo; foram elas que, ao mostrarem-se tão obtusas, chegaram a essa situação; e suprimem-se porque – dizem – a vida não tem qualquer sentido! Na realidade, a vida encerra ainda tantas possibilidades insuspeitadas!… É a maior das tolices ficar prostrado a um canto, infeliz, no vazio, por ser incapaz de as ver!
 
          Voltemos agora à imagem do copo meio cheio e do copo meio vazio. É claro que, do ponto de vista da simples constatação, dizer de uma maneira ou de outra vem a dar no mesmo. Mas constatar as coisas não é ainda a verdadeira ciência. A verdadeira ciência consiste em vermos, na nossa vida, as conseqüências desta ou daquela constatação. Quando você diz que um copo está meio cheio, você fixa o pensamento na plenitude e se habitua, assim, a ver o lado bom das coisas. E, mesmo quando você se depara com um acontecimento desagradável, em vez de chorar horas inteiras para “regar o jardim”, diga para você mesmo: “Oh!, existem ainda algumas possibilidades, o Céu tem boas intenções a meu respeito, quer que eu desenvolva qualidades que ainda não possuo. Quais são?” Então procure… e, quando descobrir, agradeça-lhe por lhe ter dado essa provação. É uma filosofia muito difícil de aceitar, mas é a melhor. A partir do instante em que você começar a aceitá-la verdadeiramente, nada mais poderá voltar a lhe entravar. Qualquer que seja a situação que lhe aconteça, você avançará, porque estará a raciocinar bem.

          E agora imagine que os humanos se comportam muito mal com você; durante toda a sua vida, por mais que você faça, apesar de toda a sua gentileza, doçura e bondade, choverão injustiças sobre você. Então, por fim, você achará que é tudo tão cruel, que se revoltará contra o Senhor e até poderá querer pôr fim à vida. Espere!

 oma 22         Ainda há um ponto que você não compreendeu bem: por que continua o Céu a lhe dar essas provações, sempre as mesmas?… Suponha  que numa outra encarnação você foi cruel para com certas criaturas. Para lhe mostrarem quanto mal lhes fez, são elas agora que, por sua vez, fazem-lhe sofrer, mas você não compreende que a culpa é sua. Se assim não se respeitar – é uma lei. Por conseguinte, embora as “injustiças” por que você passa sejam muito gritantes, você deve tirar da cabeça essa idéia de que são injustiças. Porque, na realidade, essas injustiças, visíveis e reais, são a expressão de uma justiça invisível. Por uma razão ou por outra, você merece o que lhe acontece: ou, ainda, deve se reforçar e tornar-se um gênio, um gigante, um colosso.

          O que impede os humanos de evoluir é o fato de pensarem que as dificuldades ou os infortúnios são o resultado de uma injustiça. Eles pensam: “O destino é injusto, e até o Senhor é injusto, eu merecia melhor.” E como podem eles saber se mereciam melhor? Eles não se conhecem, não conhecem o seu passado, nem o seu presente,  muito menos, o seu futuro; por isso, como poderão pronunciar-se? Mesmo quando, num processo, os juízes condenam um inocente – e quantos erros judiciários têm acontecido ao longo da História! – na realidade, há sempre uma justiça por detrás dessa injustiça. Pode mesmo acontecer com Santos, Iniciados e grandes Mestres: muitos foram enforcados, queimados, crucificados; aparentemente, foi injusto, mas, na realidade, não. Os Vinte e Quatro Anciãos ou Senhores do Carma são absolutamente justos – as provações por que tais seres passaram tinham-lhes sido enviadas para os fazer pagar uma dívida, ou para os ajudar a compreender algumas verdades que sem isso não teriam compreendido, ou, ainda, para os incitar a tornarem-se fortes, poderosos, invencíveis.

          Algumas pessoas pensam que escapam às dificuldades pondo fim à vida. Na verdade, é ainda pior, depois, quando estiverem do outro lado, porque ninguém tem o direito de partir antes do termo; é uma deserção que terá de ser paga duas vezes, três vezes mais caro. Lá em cima não há lugar para aqueles que quiseram desertar da terra, e não querem recebê-los: terão de sofrer tanto tempo quanto o que ainda lhes restava viver na terra.

          A atitude de quem põe fim à sua vida é extremamente repreensível. Em primeiro lugar, essas pessoas são ignorantes, porque não conhecem a razão das provações que têm de suportar. Depois, são orgulhosas, porque julgam saber melhor que os Vinte e Quatro Anciãos aquilo que merecem. Finalmente, são fracas, porque não suportam as dificuldades. Demonstram, pois, ignorância, orgulho e fraqueza. E o mundo invisível fica descontente com esses seres porque eles abandonaram o seu posto.

          Você me dirá: “Mas alguns suicidaram-se porque tinham um ideal extraordinário que não conseguiram atingir. Ao verem que não conseguiram, ficavam tão decepcionados consigo próprios que acabavam com suas vidas.” Ora bem: isso também não é permitido. Quando se tem um grande ideal, o essencial é trabalhar para realizá-lo, sem fixar uma data para sua realização. Se não se foi bem sucedido, foi porque ainda não se possuíam os elementos que fariam o sucesso; é próprio do orgulho não querer admitir isso e suprimir-se. Dever-se-ia ter perseverado!

          A maioria dos humanos pensam que vieram à terra para viver em felicidade e realizar as suas ambições. Mas não: eles vieram à terra para pagar suas dívidas, para se instruírem e se reforçarem. É por isso que o Céu não pode ter estima por quem tomou a decisão de pôr termo à sua vida, porque tais seres colocam-se acima dos Senhores de todos os destinos, e os sofrimentos que terão de suportar a seguir são indescritíveis. Eis mais uma das grandes verdades da Ciência Iniciática.

          É claro que se pode dar ao suicídio toda a espécie de explicações. Mas, sejam quais forem as razões por que um homem ou uma mulher se suicida, pode-se dizer que a verdadeira razão é esta: trata-se de uma criatura que não sabe que o Criador colocou nela possibilidades incríveis de triunfar em quaisquer condições de vida: possibilidades de comunicar com os seres do mundo invisível, possibilidades de criar pelo pensamento e de lançar essas criações através do espaço… Ela não sabe que, mesmo na maior solidão e na maior miséria, é possível não se sentir pobre e só, mas visitada, rodeada e senhora de todos os tesouros; aconteça o que acontecer, ela tem dentro de si um mundo tão vasto e tão belo para se sentir feliz!

          Existem seres a quem nenhum acontecimento, nenhuma situação abala, porque têm um sistema filosófico ao qual se agarram. Por que se diz nos Evangelhos que devemos construir a nossa casa sobre a rocha? A rocha é o espírito, e o espírito permanece inabalável em todas as circunstâncias. O coração, o intelecto ou o corpo físico são vulneráveis, mas o espírito não.

         Os humanos estão muito mal instruídos; eles não sabem o que Deus colocou neles próprios e, à mais pequena decepção, pensam que a única solução é o suicídio. O que quer isso dizer? Que são gênios? Que são seres tão excepcionais que não podem suportar o mal no mundo?… Não, são pobres miseráveis privados de tudo: de inteligência, de amor, de força; só a sua fraqueza os leva a acabarem assim. Que tenha havido na História homens e mulheres heróicos que ofereceram a vida para salvar um exército, uma cidade, um povo, isso eu compreendo, é uma outra questão. Eu não me refiro a esses, mas a todos aqueles – principalmente jovens – que se preparam para acabar lamentavelmente, porque se sentem sós ou incompreendidos.

          Os jovens devem aperceber-se da riqueza de que dispõem. Eles têm imaginação, não é verdade? Então, por  que não se servem dela? Oh!, é claro, eles servem-se dela: quando se trata de pensar nos seus namorados e de imaginarem como os acariciam, como os beijam, a imaginação dos rapazes e das raparigas não descansa. Mas por que  eles a utilizam unicamente nas elucubrações sexuais essa preciosa faculdade que o Criador lhes deu? Porque não aprenderam a utilizar a imaginação para pensarem em todas as razões que podem ter para se sentirem felizes e ricos graças a tudo o que existe no Céu e na terra e, principalmente, em si próprios? 
 
          Houve numerosos casos de suicídio na História, mas podem ser resumidos em três categorias. Eles têm como causa ou falta de inteligência, ou falta de coração ou falta de vontade. Se você tiver uma boa compreensão das coisas, se souber que existe um mundo divino povoado de seres esplêndidos e que esse mundo divino imprimiu a sua marca no mundo físico; se você souber que os sentimentos e os desejos são de uma potência tal que, com perseverança, se consegue sempre realizá-los… Enfim, se você conseguir se educar para não procurar satisfazer unicamente as suas cobiças mas a considerar todas as dificuldades como um meio de exercer a sua vontade, então, esteja certos de que jamais você se suicidará. Nem mesmo a miséria, as privações, a doença ou a solidão conseguirão lhe vencer. Você é que triunfará.

         Os jovens devem persuadir-se ao menos de uma coisa: o mundo é vasto e eles não estão sós. O que mais leva as pessoas ao suicídio é a falta de amor. Quando alguém perdeu o amor, só deseja morrer; a vida não tem sentido. A vida está ligada ao amor. Isto é tão verdadeiro que, se você  estiver nos braços daquele ou daquela que ama, vai querer sempre viver. Se suprimir o amor, você morrerá. Muitas pessoas suprimiram o amor e agora perguntam a si próprias por que razão já não têm gosto por nada. Pois bem, é justamente porque nelas não há amor.

          Quando vejo uma jovem com um ar travesso, cantarolando, sei que ela acaba de estar com o seu namorado, porque o amor é isso, é a alegria. E se depois a vejo deprimida, sei que perdeu o namorado, não é difícil de decifrar. Eis porque eu insisto sempre no amor. Mas não nesse amor que hoje está na moda e que, na realidade, não é senão libertinagem, porque também esse amor, tal como a falta de amor, acaba por roubar aos seres todas as razões de viver.

          Sim, é sobre o amor que se deve falar constantemente, durante toda a vida, porque os humanos ainda estão longe de conhecer o verdadeiro amor, aquele que é capaz de remover montanhas, de criar mundos!… Quanto a mim, já encontrei o segredo: eu amo… a Fraternidade, e como amo a Fraternidade, todas as questões estão resolvidas. Só penso nela, nada mais existe na minha cabeça, ela dá sentido à minha vida. Faça você a mesma coisa e jamais terá o desejo de se suicidar.

(Extraído do livro “Respostas à Questão do Mal” – Omraam Mikhaël Aïvanhov – Edições Prosveta; Portugal – páginas 129-142).

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