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Ressurreição é preciso; Reencarnação não é preciso.

Resurrection-1982[1]              Essa é uma velha questão no meio espiritualista. Onde está a verdade? Na ressurreição ou na reencarnação? Vou apresentar neste artigo um enfoque um pouco diferente dos tradicionais, demonstrando que ambos são verdadeiros, mas que, o mais importante é a ressurreição. É claro que interpretarei a expressão ressurreição diferentemente de nossos irmãos católicos e evangélicos.

            O que seria então, a ressurreição? Ela vem sendo interpretada, corretamente, como o ressurgir na carne. Essa interpretação é correta, porém, muitos grupos espiritualistas acreditam que tal ressurreição acontecerá após a morte física, no dia do Juízo Final.

             Mas a ressurreição acontece quando nós deixamos de ser escravos do Ego e passamos a ser Senhores do Ego, dominando-o e não mais deixando-se dominar por ele. Em outras palavras, ressurreição seria transmutar o ser humanizado, condicionado a sentir prazer ou dor de acordo com as vicissitudes da vida material,  para viver como ser espiritualizado. Ao se espiritualizar, ainda na terra, ainda no corpo físico, ocorre a verdadeira ressurreição. Assim, alcança-se, finalmente, o reino de Deus ainda no corpo denso. Vive-se o Nirvana das Filosofias Orientais.

Odyssey-1994[1]             A reencarnação, por outro lado, é um fato. É uma verdade factual e muitos católicos sabem disso. Mas estão corretos quando dizem que a ressurreição é que é mais importante, apesar de não saberem como interpretar essa intuição que possuem.

             De que ainda ao espírito escravizado pelo Ego viver em uma eterna roda reencarnatória? De que ainda passar por centenas de milhares de encarnações sempre “humanizado”, ou seja, sendo dominado pelo Ego?

             Sem a ressurreição, a reencarnação se torna uma eterna maldição, um constante ir e vir sem sentido para o espírito. Assim, somente com a ressurreição pode o espírito livrar-se do samsara (a roda das encarnações) e, finalmente, atingir o reino de Deus ou Nirvana, não precisando mais encarnar na Terra, vivendo, assim, como espírito eterno desde já. E a ressurreição só se alcança quando passamos a ser senhores do Ego, amando e sendo felizes incondicionalmente, como Krishna, Buda e Jesus nos ensinaram. 

            Portanto, apesar de ser uma verdade factual, a reencarnação só é necessária para o espírito humanizado, esteja ele encarnado ou não. Já a ressurreição é fundamental para quem deseja alcançar o reino de Deus, espiritualizando-se ainda no corpo denso, usando o Ego para atingir esse objetivo e não mais se deixando levar pelas verdades que o Ego tenta lhe impor. 

 

Adilson Marques
É paulistano. Em 1978, com 12 anos de idade, descobriu o espiritismo por intermédio de seu avô paterno Leon Sanches Marques. Durante 3 anos estudou a obra de Kardek e outros livros doutrinários. Graduou-se, em 1992, em Geografia pela Universidade de São Paulo e, em 1996 e 2003, concluiu, respectivamente, o mestrado e o doutorado em Educação pela mesma instituição. Em 2001 participou do trabalho mediúnico que resultou na criação da ONG Círculo de São Francisco, vindo a conhecer o conceito de “sensibilidade crística”, difundido pelo espírito Ramatis para promover a postura espiritual de cunho universalista, sem fronteiras doutrinárias, com o qual o autor se afinizou imediatamente.

Profissionalmente atuou como animador cultural em diversas unidades do SESC e lecionou em algumas faculdades particulares. Atualmente é professor da Universidade Aberta da Terceira Idade, em São Carlos, e realiza trabalho voluntário na ONG Círculo de São Francisco e na Associação dos Deficientes Físicos de São Carlos (ADESC).

São Carlos, 05/01/2006 
asamar_sc@hotmail.com

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