Do irreal conduz-me ao Real.
Das trevas conduz-me à Luz.
Da morte conduz-me à Imortalidade.
veda
Este Mantra é a chave que nos abre a porta para começar um estudo sério sobre os Vedas.
Estaremos já prontos para isso?
.
Em sua busca pela verdade, todo estudante da Sabedoria Divina sente, em um determinado momento de sua vida, um chamado para estudar os Vedas. O caminho a seguir é absolutamente individual, e durante o percurso haverá momentos de exaltação espiritual, até que o Sadhaka (aspirante) se torne totalmente uno com o objeto do seu estudo.
vedasOs Vedas são considerados, por todos os eruditos Orientais e Ocidentais, como a mais antiga de todas as escrituras do mundo e a mais sagrada das obras sânscritas conhecidas.
Foram escritos em um sânscrito tão antigo, tão diferente do idioma atual, que não existe outra obra semelhante na literatura de esse “irmão mais velho de todos os idiomas conhecidos”, segundo o professor Max Mulher. Somente os Pandits Brahmanes mais instruídos podem ler a obra em sua forma original.
Diz-se que os Vedas foram ensinados primeiro em sua forma oral, durante muitos milhões de anos e que somente mais tarde foram compilados às margens do lago Manasa-Sarovara, situado para além do Himalaia (em sânscrito “hyma alaya“ – morada das neves), no Tibet.
É sumamente importante citar aqui o testemunho de Swani Vivekananda a respeito do assunto:
“Os Vedas não devem sua autoridade a ninguém; constituem uma autoridade em si mesmo, com o conhecimento eterno de Deus. Nunca foram escritos, nunca foram criados, porque existiram através do tempo; como a criação, e são infinitos e eternos, sem começo e sem fim. A estes conhecimentos deu-se o nome de Vedas.” 
Com essas considerações preliminares, já temos material suficiente para começar nossas reflexões sobre este tema tão inspirado.
O termo Vedas provém do sânscrito, cuja raiz “vid” significa “conhecer a Sabedoria Divina”, por isto os Vedas são traduzidos como Sabedoria Divina ou Suprema.
Diwali-465x237Os Vedas são, atualmente, em número de quatro, denominados da seguinte forma: 1o Rig Veda; 2o Yajur Veda; 3o Sãma Veda; e 4o  Atharva Veda.
O Manu e mesmo outros legisladores hindus falam apenas dos três primeiros. Eram eles os que existiam na época da composição do Bhagavad-Gita. O quarto, Atharva Veda é, relativamente, mais moderno
Cada Veda possui três divisões principais, a saber: a) Sanhitas; b) Brahmanas, e c) Aranyakas.
Para tornar possível uma compreensão mais ampla do que cada uma dessas divisões trata, apresentamos a seguir uma síntese dos seus conteúdos:
Sanhitas – Coleções de hinos, fórmulas e ladainhas.
Brahmanas – Contém textos em prosa sobre matéria teológica ou doutrinária; descrições dos rituais de sacrifícios e suas aplicações.
Aranyakas – Ensinamentos dirigidos àqueles que adotam uma vida de reclusão, para consagrar-se à meditação.
Upanishads – É a porção filosófica dos Vedas; em sua maioria estão constituídos dos diferentes capítulos dos Aranyakas.
Todos os Vedas estão classificados em duas grandes divisões: exotérica e esotérica, sendo a primeira chamada de Karma-Kanda, divisão de seções e obras que tratam da realização dos rituais; a segunda é chamada de Jnana-Kanda, divisão do conhecimento Divino ou espiritual. Os Upanishads estão compreendidos nesta última classificação e concordam com o exposto anteriormente. Ambas das seções são consideradas Sruti ou tradição sagrada, recebida por revelação.
Os Upanishads, também chamados Vedanta (final dos Vedas), tal como os encontramos hoje em dia, são em número de 223 e eles não são apenas um reservatório da filosofia mais antiga da Índia, mas também representam toda a sabedoria acumulados por santos, sábios e videntes do passado.
Diya ArrangementAlém disso, constituem um registro gráfico de inúmeras formas de meditação (Upasanas: práticas, exercícios) sobre o Homem, Deus e o Universo. Foi Sri Shankaracharya quem escreveu os comentários dos principais Upanishads,
Os nomes de:
  • Indra (o Deus do firmamento, Rei dos deuses siderais e representação de fortaleza);
  • Varuna (Deus da água e Deus marinho, que preside a noite);
  • Agni (Deus do fogo);
  • Vãyu (Deus soberano do ar e da tormenta);
  • Soma (a Lua, símbolo da sabedoria secreta);
  • Adityas (um dos Deuses planetários e personificação do sol);
  • Mitra (um dos 12 Adityas, personificação do sol e regente do dia);
  • Aryaman (Chefe dos Pitris ou antepassados, um dos Adityas; deidade que preside o olho e o Sol);
  • Brihaspati (o Guru manifesto e sacerdote dos Deuses; nome de um Rishi)
  • e muitos outros Deuses mais foram usados em muitos trechos dos Vedas e são apenas nomes diferentes do ser Eterno Uno.
Um simples estudo superficial dos Vedas pode mostrar-nos a unidade subjacente a esta multiplicidade de nomes desses Deuses e o que representa cada um; mas quem puder ler nas entrelinhas dos textos védicos irá compreendê-los como atributos diferentes do mesmo Ser Supremo.
Talvez em nenhum outro lugar seja possível encontrar a idéia da unidade na multiplicidade com uma expressão mais eloqüente do que nas passagens dos diversos Vedas que foram aqui mencionados. Como exemplo, citamos o Rig Veda 1. 64.46, que diz: “A verdade é uma só, os sábios a designam por vários nomes”,
hindu20Outras características das orações encontradas nos Vedas é a amplitude do seu chamado e a universalidade da sua expressão. Tais versos são preces não apenas para o bem de uma só pessoa ou da uma sociedade, da uma classe social ou da uma comunidade em particular, mas também estão dirigidas para a Humanidade como um todo e sem nenhuma distinção, ou seja, abrangem todo o universo dos seres conscientes.
A utilização dessas preces ou orações é como um procedimento definido para enviar correntes de pensamentos nobres e elevados para todos os planos de existência nos Universos, os quais incluem desde os Deuses e os homens, até as aves e bestas, ervas e árvores; essas preces se destacam pela amplidão da fraseologia e seu caráter onisciente.
Em sentido geral, pode-se afirmar que as orações ou preces constituem parte importante da vida espiritual de todo aspirante que deseja palmilhar o Caminho da Santidade. Elas não apenas aliviam os sofrimentos e mal estares da mente, mas também a tornam mais receptiva e sensível ao mesmo tempo
Não é necessário colocar demasiada ênfase na questão da necessidade que todas as pessoas têm de fazer orações. Existem apenas duas classes de pessoas que não sentem essa necessidade: aquelas que conseguiram compreender a Deus e se tornaram unos com Ele, e aquelas que não se interessam por Deus para nada. Entre essas duas alas extremas da Humanidade, estamos nós. Cada um deve sentir a necessidade de incorporar a prece à sua vida diária.
Não queremos estender-nos demasiado, e finalizamos esta breve  reflexão com a citação de um dos Vedas, o RIg Veda
Brihadaranyaka Upanishad – Cap. l 3. 28 (transliteração do sânscrito para o inglês e tradução para o português)
From untruth (1) (“O Lord”!) lead me to Truth (2) Do incerto (Oh! Senhor!) conduz-me à Verdade.
(1) o incerto – o inexistente, o irreal.
(2) A verdade – a existência eterna, o Real,
From darkness (of ignorance) lead me to Light (of Knowledge).
Das trevas (da ignorância) conduz-me à Luz (do conhecimento).
From death lead me to immortality.
Da morte conduz-me à imortalidade.

Assim, podemos traduzir estas orações, que constituem um poderoso Mantra, da forma como está grafado no inicio do livro Aos pés do Mestre, de J. Krishnamurti, Editora Teosófica, 2000.

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puigfuigueAlfredo Puig Figueroa
Membro da Sociedade Teosófica em Brasília, ex-presidente da ST
e da Federação Teosófica Interamericana

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