Uma Louca Busca do Homem
Por Richard Colligan
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.O que não fazem certos homens para adiarem o momento da morte. Temos aqui duas histórias muito curiosas guardadas pelo tempo.

As múmias de Cagliostro

Cagliostro, foi um nobre nascido em Palermo em 1743 e admirado em toda a Europa como um mago de muitos recursos. Pois bem, ele tinha uma técnica especial para regenerar o corpo e desta maneira poder viver mais tempo. Sua técnica procurava reproduzir o processo sofrido pelas larvas que se fecham num casulo de seda para depois renascerem como borboletas. Ele achava que nós, humanos, poderíamos fazer a mesma coisa. Assim, o seu método consistia em deitar o interessado totalmente despido em uma cama, embrulhar o seu corpo numa manta e deixa-lo ali descansando por um mês, durante o qual seria alimentado só com caldo de galinha.

Cagliostro dizia que o indivíduo iria perder os cabelos, as unhas e os dentes e que chegaria a um estado de fraqueza tal que, forçaria o organismo a entrar num processo regenerativo que devolveria para o infeliz os dentes dele e cabelo juntamente com a tão sonhada mocidade. 

A ciência confirma a primeira parte da experiência, pois a ação do escorbuto aliada à falta de vitamina C fará com que o indivíduo realmente perca os cabelos, as unhas e os dentes, porém o resto da experiência não chegará jamais a um final feliz. 

O Morto no Barril

Existiram outros métodos que também procuravam imitar à natureza, tentando sair da estaca zero para “nascer novamente.” 

Conta uma história que em Toledo, ali pelos anos de 1434, vivia Don Enrique de Villena, escritor e necromancista que, sentindo a chegada de sua morte, chamou um criado em quem confiava totalmente e lhe deu as seguintes ordens: assim que ele morresse o criado deveria esquartejar o seu corpo em pedaços bem pequenos e colocar estes restos picados num barril que já continha um estranho preparado. O barril estava escondido sob um monte de esterco que aqueceria a mistura. 

Para que ninguém notasse a sua ausência Don Enrique diz para seu criado andar sempre vestido com a sua capa de gola alta e seu chapéu.

Assim, após a morte do fidalgo, durante meses, o criado transvertido circulou por Toledo e as pessoas, crédulas, julgavam tratar-se seu mestre. 

Tudo ia bem até o dia em que passava pela rua um padre carregando o Santíssimo. Todos se descobriram diante do objeto sagrado, menos o criado. Um visinho, estranhando o fato, que resolveu questioná-lo pela sua irreverência, momento em que descobriu a fraude. Sem titubear acuso-o junto ao tribunal da Santa Inquisição por ato de bruxaria e homicídio.

Durante o interrogatório o pobre criado indicou onde estava o barril.

As anotações dos inquisidores diz que quando os frades derramaram o barril no chão, escorreu um líquido viscoso e mal cheiroso no meio do qual flutuou algo que parecia um feto de poucos meses…

 

Richard Colligan
pesquisador de mitos antigos
autor do livro: Curious Histories of the Magic
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