Curso Completo De Respiração, Controle e Relaxamento

TREINAMENTO INTERIOR
por: Vera Irene Schuck Paim

 

O Sistema Respiratório compreende o conjunto de órgãos tubulares e alveolares, situados na cabeça, pescoço e cavidade torácica, responsáveis pela respiração. O termo respiração significa trocas gasosas que se efetuam entre o organismo e o meio ambiente. O homem absorve oxigênio do ar e elimina gás carbônico. Para que isto aconteça o oxigênio do ar inspirado e o gás carbônico a ser expelido circulam através das vias aeríferas – cavidade nasal, faringe, laringe, traquéia e brônquios – a fim de intercomunicar o meio ambiente com os pulmões. Nos pulmões efetuam-se as trocas gasosas O2 do ar com CO2 do sangue. O sangue que é oxigenado nos pulmões, ao nível dos vasos capilares efetua trocas gasosas com os tecidos e, por conseguinte, com as células; cede O2 e recebe CO2 resultante de oxidações celulares. As trocas gasosas que se verificam nos pulmões constituem o que se denomina respiração externa, as que se processam na intimidade dos tecidos constituem a chamada respiração interna.

Pensamos, é claro, que basta respirar para viver. No entanto, não é bem assim que se pode colocar essa questão se é que se deseja ter boa qualidade de vida.

“RESPIRAR É VIVER MAS SABER RESPIRAR É VIVER BEM”

Buda disse: “A vida está entre uma respiração e outra”.

Essa é uma afirmação correta e tomar consciência do peso que ela pode ter em nossas vidas é extremamente importante, uma vez que depois disso poderemos mudar nossos hábitos, nossa conduta e até os nossos valores.

Pesquisas científicas demonstram que a respiração é uma atividade muito complexa, capaz de ter efeitos diretos sobre muitas funções corporais. O padrão de nossa respiração – ou seja, respiração rápida ou lenta, profunda ou superficial e respiração pela narina esquerda ou direita poderia assim determinar nossa susceptibilidade a doenças, a força dos nossos corações e a profundidade de nossas depressões.

Sempre que antecipamos algum acontecimento importante para nossas vidas, ou suspiramos com alívio, ou ofegamos ou prendemos a respiração. Sentimos falta de ar quando excitados, contrariados ou inspirados. Tudo o que sentimos física ou emocionalmente está diretamente ligado à nossa respiração. A nível inconsciente sabemos dessa realidade, porém, nada fazemos para aprimorar esse conhecimento quanto à influência da respiração.

A respiração, dizem os pesquisadores, pode ser o elo perdido entre as funções voluntárias e involuntárias no cérebro. Embora regulada pelo sistema nervoso, do mesmo modo que o ritmo cardíaco, o fluxo sanguíneo e outras funções orgânicas autômatas, a respiração seria a única dessas funções que pode ser conscientemente alterada. E ao aprender a controlar a respiração, podemos ser, capazes de controlar outras funções importantes, como ondas cerebrais, secreções e metabolismo.

A respiração é o modo pelo qual transportamos o oxigênio do ar para as células do nosso corpo, onde ele é usado para queimar carboidratos, proteínas e gorduras, liberando as energias que nos mantêm vivos. É também o modo pelo qual livramos nossos corpos de um subproduto do processo de combustão, o dióxido de carbono.

Há muito tempo, os iogues afirmam que a respiração adequada é a chave para o bem-estar mental e físico, e enfatizam o método da narina alternada.

O Dr. I. N. Riga, um otorrinolaringologista rumeno, descobriu que de quase quatrocentos pacientes com desvio de septo nasal, os que respiravam mais pela narina esquerda sofriam mais de doenças relacionadas com o stress ( 89% dos que respiravam mais pela narina esquerda, contra 29% dos que respiravam mais pela direita). Corrigida por cirurgia a deformidade nasal, os problemas de stress diminuíram. Um cardiologista americano receitou respiração profunda em narizes alternados a pessoas com angina pectoris e registrou melhoras marcantes.

Hipóteses atuais dizem que todo nosso sistema funciona alternando ciclos ativos e passivos, ou seja, o modo pelo qual respiramos pode ser diretamente ligado ao modo pelo qual nosso cérebro funciona. Estarão certos os iogues? Se mudarmos o padrão de respiração, poderemos também mudar o modo pelo qual nosso cérebro funciona, e assim mudar nosso equilíbrio fisiológico e psicológico.

Um centro de pesquisas sobre iogues, o Instituto Himalaiano, na Pensilvânia, investiga essa teoria e conduziu diversos estudos que mostram vários fatores capazes de afetar o ciclo nasal. O primeiro é a postura, o segundo é a pressão e o terceiro – e talvez o mais importante – é a emoção.

Muitas pessoas prendem a respiração quando se concentram, têm respiração superficial e rápida quando preocupadas e respiram profunda e regularmente quando em repouso.

A respiração no sentido estrito, consiste em trazer ar para os pulmões, onde ocorre a troca de gases, e então expeli-lo de volta à atmosfera.

Nós não trazemos o ar conscientemente para dentro – expandimos a cavidade do peito, criando uma sucção e trazendo o ar, pelas vias aéreas superiores, para dentro dos pulmões. Em repouso, a cavidade do peito pode ser expandida de várias maneiras. A caixa torácica pode ser impulsionada para fora (respiração torácica ou do peito); os ombros podem ser levados para cima (respiração clavicular ou do ombro); o assoalho muscular da cavidade peitoral pode ser impulsionado para baixo (respiração diafragmática ou da barriga). Usamos combinações diferentes dessas técnicas de respiração mas, apenas uma é eficiente: a respiração diafragmática.

O diafragma, uma camada de músculos em forma de abóbada, separa a cavidade torácica da cavidade abdominal. Ela corre horizontalmente através do torso, ligada às costelas inferiores. Na inalação, sua abóbada se move para baixo, criando um vácuo parcial e expandindo os pulmões. A musculatura abdominal relaxa e se projeta para fora.

O Dr. Alan Hymes, do Instituto Himalaiano, enumera várias razões pelas quais este é o método mais saudável de respiração: por causa da gravidade, a distribuição de sangue nos pulmões favorece as áreas mais baixas. Com a respiração diafragmática, mais ar é levado a essas áreas, misturando eficientemente sangue e oxigênio; a respiração diafragmática também é mais fácil e envolve menor gasto de energia. Além disso, se observarmos os recém-nascidos e crianças pequenas saudáveis, poderemos notar que eles respiram pelo abdômen levando-nos à conclusão que eles sabem naturalmente respirar corretamente. Ninguém os ensinou a respirar, já nascem sabendo.

Como a respiração nasal, a diafragmática, ao que se imagina, tem uma ligação com as emoções. O Dr. Alexander Lowen, aluno de Wilhelm Reich, diz que a “profundidade da respiração afeta a intensidade dos sentimentos”. Assim, prendendo a respiração, podemos reduzir ou anular sentimentos. Por isso, tendemos a prender a respiração em tempos de stress.

Lowen acredita que exercícios para relaxar músculos e permitir respiração adequada podem liberar emoções contidas. Ele usa tais exercícios como parte da psicoterapia.

Mesmo sem terapia, às vezes, o corpo automaticamente libera a tensão, ao liberar a respiração na forma de um suspiro, um riso nervoso, um gemido. Não é infundada a expressão: “respire fundo e acalme-se”.

Exercícios respiratórios para ajudar a pessoa a acalmar-se estão de fato ganhando larga aceitação. O Dr. Nuemberg, consultor gerencial de stress em empresas, ensinou técnicas de respiração adequadas a um grupo e usou outro para comparação. O grupo treinado alcançou sempre resultados melhores em testes psicológicos padrão, e mais baixos na chamada escala de neuroses. Mas como o estilo de respiração se liga às emoções e por que um desencadeia as outras?

Em estudos independentes no Instituto Neuropsiquiátrico da Universidade da Calofórnia, J. V. Hardt e B. Timmons, mostram uma ligação entre a respiração e as ondas cerebrais. Descobriram mais ondas alfa quando as pessoas estão relaxadas, durante respiração profunda – e acharam menos quando as pessoas estavam envolvidas em respiração rápida, superficial.  As ondas alfa correlacionaram, melhor com a respiração abdominal do que com a torácica.

O sistema nervoso autônomo se divide em dois ramos: o parassimpático, envolvido no controle das atividades em repouso, a redução do ritmo cardíaco e do metabolismo; e o simpático, que serve para acelerá-las. Sob o stress físico ou emocional, o corpo se ajusta antecipadamente desencadeando a ação do ramo simpático conhecida como reação do “lute ou fuja’: o coração bate mais rápido e a respiração se acelera.

Para muitos pesquisadores, essa resposta fisiológica ligada às emoções, pode ser controlada se a pessoa aprender a relaxar. O Dr. Benson, de Harvard, afirma que a respiração adequada é parte do relaxamento, pois pode ser usada para controlar respostas que se imagina estarem além do controle consciente.

De acordo com pesquisas do Instituto Hirnalaiano quando você inala, o tônus simpático aumenta. Ao controlar conscientemente a respiração, você pode tomar mais lenta ou intensificar a atividade em seu sistema límbico, que causa mudanças nos estados de espírito e funções corporais. A respiração pode mesmo ser a chave para as façanhas de controle corporal alcançadas pelos iogues.

Diz o Dr. Rudolph Ballentine, do Instituto Himalaiano: “A respiração está diretamente relacionada, de modo muito estratégico, ao funcionamento dos órgãos internos, às emoções e à mente”.

Se você levar em conta que sua respiração pode ser voluntariamente controlada, pense apenas no potencial de usar a respiração como modo de corrigir certos problemas psicológicos e fisiológicos.

Velhos filósofos já afirmavam com frequência aquilo que os cientistas modernos estão começando a provar agora: que a respiração afeta o nosso bem-estar mental.

O mais antigo livro médico da China, o Mei-Ching, escrito cerca de 2.600 A..C., explica, que os pulmões “são os ministros que regulam a ação de uma pessoa”- outra passagem diz que eles “são o lugar do sofrimento”” . Textos médicos chineses posteriores dizem que a respiração profunda pode esclarecer o intelecto e talvez até mesmo prolongar a vida.

Patanjali, um sábio indiano que foi o primeiro a codificar as regras da ioga no século II d.C., escreveu que o controle dos pensamentos e emoções está ligado ao controle da respiração denominando vários pranuiamas ou métodos capazes de funcionar como reguladores do prana, a força da vida.

De acordo com os Laboratórios Thorndike Memorial, uma simples técnica respiratória pode fazer cair a pressão sanguínea e reduzir a ansiedade.

O exercício respiratório é recomendado para contra-atacar os efeitos da resposta do “fuja ou lute”, reação inata ao stress, que nos prepara para atacar ou fugir ao ativar o sistema nervoso simpático.

Os seres humanos modernos têm um conjunto de agentes de stress diferente em relação aos seus antepassados mas a resposta física ainda é a mesma. E, como a maior parte de nós não tem a opção de eliminar stress pela fuga ou pela luta, ele se acumula, levando à hipertensão. A resposta do relaxamento é acalmar o sistema nervoso simpático.

Esse curso foi planejado com o intuito de oferecer a oportunidade a qualquer pessoa de praticar o seu próprio relaxamento, aumentar a sua capacidade torácica, conhecer-se através da auto-observação respiratória, evitando assim recorrer constantemente a remédios, uma vez que ele pode ser praticado em qualquer lugar. Vivemos num mundo acelerado e prático e nem sempre podemos estar numa praça com tranquilidade ou no campo em contato direto com a natureza para relaxarmos.

Através desses exercícios podemos ter uma maior sensibilidade em relação ao nosso corpo e escutar o que ele nos diz. Não existem regras rígidas mas sim o bom senso de seguirmos as que regem o Universo – yin e yang, expansão e recolhimento.

 
 

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