Projetos Interrompidos

imageJJNPor: Zelinda Orlandi Hypolito.

Uma das leis da Gestalt fala sobre o problema acarretado por processos iniciados e não finalizados. Todo processo que teve um início, um meio e não teve um “fim”, tende a permanecer na mente ocupando espaço e desperdiçando a energia gasta em sua inútil manutenção.

Uma tendência humana comum (e auto-destrutiva) é de sempre começar projetos novos, depois de algum tempo enjoar e simplesmente abandonar seu propósito sem ao menos dar um término digno e uma finalidade para ele – deixá-lo pendurado em algum “gancho”, esquecido num canto do armário.

O que não percebemos, é que estes projetos inacabados (sejam de que natureza for:material, emocional, intelectual, espiritual) por não terem um destino, não terem sido “resolvidos”, continuam como problemas a espera de solução, ocupando nossos “bites” de espaço e desperdiçando nossos “watts” de energia. Melhor explicando: saímos e esquecemos de apagar a luz que fica inutilmente acesa, a Eletropaulo não sabe que você não está utilizando e continua registrando o gasto, a conta fica alta e desperdiçamos nosso dinheiro (que nada mais é que a energia resultante de seu trabalho).

       Não quero dizer com isso, que todo projeto deve ser terminado da maneira que foi proposto, você não deve se obrigar a fazer nada que não queira, mas deve ter certeza que realmente é essa sua vontade. Entramos na situação do querer (uma das leis da Magia).   Querer, é igual a Vontade, não desejo. O Desejo é um impulso imediato e passageiro que, se não for satisfeito no momento, com o tempo é esquecido. A Vontade é aquele projeto (o que) que tem um propósito (por que), um objetivo a ser alcançado de alguma maneira (como) e que irá interferir de maneira benéfica e efetiva em sua vida futura (para que/quando).

Quando um projeto é abandonado em sua vida? Resposta: quando não há mais prazer em realizá-lo. Quando outro projeto interfere neste primeiro e se torna mais importante que ele, ganhando a primazia em seus interesses.

Quando perdemos interesse por algo, temos a grande oportunidade de conhecermos mais sobre nós mesmos, como sentimos e reagimos diante dos fatos e dos desafios da vida.

Se realmente quisermos desistir de um projeto, devemos antes perguntar qual o caminho que utilizamos.

No I Ching, um dos hexagramas fala sobre “a retirada”.

Um caso é quando abandonamos o desafio porque percebemos e reconhecemos nossa inferioridade perante ele, percebemos a impossibilidade total de vencermos e que, se persistirmos, iremos certamente perder. É o sair antes para não perder tudo. Neste caso, o erro foi na escolha do projeto, ou por prepotência – me julguei superior ao que sou; ou por negligência – não me dediquei o quanto deveria e agora não há mais possibilidade de recuperar o tempo perdido. Outro caso seria quando ainda não está tudo perdido e você se afasta para retomar e recobrar suas forças e voltar à luta. Neste caso, não deixe que as atribulações vida façam você esquecer de tentar novamente.

      Nos dois casos há a frustração, mas se for acompanhada da observação e conscientização dos fatos, haverá o aprendizado e você sairá vencedor, por ter aprendido uma lição que não deixará você perder outras vezes. Mas não esqueça de avisar a si mesmo (ou ao outro, se for o caso) que reconhece sua impossibilidade e dá por terminada a batalha.

Todos os projetos são importantes e devem ser finalizados, mas aos afetivos deve ser dada uma atenção especial por normalmente envolverem outras pessoas, portanto, acarretar um prejuízo duplo.

No caso de você detectar uma falha de projeto inicial – todo ser humano tem o direito de mudar de idéia ou falhar – a solução é dar um destino a ele, nada é pior que a dúvida ou a não solução, porque mantém a porta aberta ao desperdício energético, a solução pode ser dolorida ou não, mas resolve um problema e fecha a porta.

Resumindo, se você sente que pode ter energia “escoando”, olhe para dentro e descubra o que você tem “dependurado” nos cabides do    departamento de projetos: o que pensou e não fez, o que começou e não terminou, o que procrastinou e esqueceu, e por aí vai. Aproveite para aprender com eles, comece observando a razão que levou você a dar início a este projeto; o quanto de energia física, mental, emocional ou espiritual já colocou nele e o porque abandonou, interrompeu e não finalizou; em que etapa foi a falha, em que etapa acabou o prazer.

Não se permita ser um perdedor, resolva suas pendências  e recobre o que é seu.

Resumindo, para que você tenha sempre energia suficiente para projetos realmente importantes, nunca tenha em sua mente, em seu coração ou em seu guarda roupa, algo que não use…

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 Zelinda Orlandi Hypolito

É psicóloga clínica com especialidade em regressão de memória e terapia de dessensibilização progressiva de incidentes traumáticos primários. É Coordenadora das atividades da Cidade das Estrelas, Vice-Presidente do Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick e co-criadora de todos os cursos regulares promovidos por esta entidade.


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