O Simbolismo da Cobra

photomania-6d50f35d7db64b94101b8f26f6051018Muito fala-se sobre a cobra ser traiçoeira, dela ter artimanhas que encaminham-nos para o mal, para o sexual, para o maligno. Muito disso vem da crença cristã de que teria sido uma cobra a enganar Eva para que ela comesse a “fruta proibida ” ( que não sei o motivo, mas a maioria acredita ser uma maçã, mesmo não constando este nome). Depois que a história de Eva ficou famosa, a cobra ganhou a fama de má, de ter levado o homem ao pecado, de ser traiçoeira e manipuladora. Porém, nós sabemos que quem realmente quis pecar foi o homem, né? Cobra nenhuma teve a ver com isso! Histórias do cristianismo, para encobrir mais uma vez, a falha humana…. A cobra seria a tentação, o desejo, e Eva cedeu.

Mas voltando … Este texto é para tratar dos assuntos místicos relacionados à Cobra. Como animal totem, como guardião, como mestre dos segredos ocultos, como o seu simbolismo mais misterioso.

A cobra, primeiramente, não tem patas, ela rasteja. Daí já sai a lição do esforço. Antigamente elas possuíam patas ( hoje em dia há cobras que possuem patas atrofiadas ), porém , com a evolução, elas perderam. Portanto já tiramos um aprendizado daí, mesmo sem patas elas conseguem se movimentar rápido e silenciosamente. Isso já nos ensina a não desistir quando parece que não temos saída. Pois mesmo sem ”patas”, ainda podemos nos ”locomover ” , basta acreditarmos!

Outro simbolismo sutil que a cobra possui é a presença de apenas dois dentes (na maioria dos casos) e para engolir suas presas, ela precisa deslocar, na maioria das vezes, todo o maxilar inferior e engolir por inteiro sua refeição, pois não pode mastigar, e nem pode deixar o maxilar normal, ou seus dentes a furariam. Isto mostra que mesmo com dificuldades internas (como seus únicos dois dentes), elas não deixam de sobreviver (comer). Ás vezes qualquer tristeza ( interna ) nos coloca para baixo, a Cobra nos ensina a superar isso, se adaptando (deslocando seu maxilar).

A cobra também tem uma característica muito peculiar, é o seu sangue frio, desta sua parte já conseguimos tirar , para a nossa vida, a frieza, mas não a frieza ruim, gélida, e sim a frieza de, é o dominar seus sentimentos (necessário à quem deseja trilha a senda).

As cobras também não tem cílios, por isso é um animal bem ameaçador, pois nunca se sabe quando realmente estão dormindo. Isto nos mostra que devemos estar sempre atentos, sempre conscientes, por assim dizer.

O das cobras também nos traz uma analogia bem importante, a de que ( observando o formato de sua cabeça, podemos presumir se esta porta veneno ou não).

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Quando se sentem ameaçados, estes animais dão um bote, mas primeiro ficam ”armados”, estudando a melhor posição para atacar fatalmente. Podemos comparar isto à nossa capacidade de investida. As vezes entramos em um negócio sem saber de nada e nos damos mal, o que poderia ser evitado, se nós tivéssemos” analisado “antes de dar o bote” .

A cobra possui um mecanismo de troca de pele, que serve para ela renovar seu brilho, livrar-se de alguma doença, etc. Isto nos ensina que as vezes é preciso trocamos de pele, ou seja, nos livrarmos de certos preconceitos, de certas prisões, de certas pessoas, etc. Isso também nos mostra que devemos mudar sempre, porém continuar o mesmo internamente, permanecer com sua essência, a troca de pele é um dos simbolismos mais preciosos que a cobra possui.

As serpentes também estavam presentes no Antigo Egito, a figura de serpentes nos turbantes/coroas dos egípcios representavam o domínio sobre si (kundalini e emoções) e sobre os conhecimentos ocultos.

Daí já entramos em outro simbolismo forte e que está presente na maioria dos estudos básicos para quem caminha na Arte: A Kundalini. Existem várias energias em nosso corpo, os chakras, a aura, etc. Na base da nossa coluna existe uma energia, que ao ”subir” equilibra todas as outras, é a Kundalini ( deixo claro que este é um pequeno resumo sobre tal energia) que é representada por uma cobra, existem até algumas técnicas de equilíbrio de chakra que usam a visualização de uma serpente subindo em espiral pela sua coluna.

Asclépio tinha em seu cajado uma serpente, símbolo do conhecimento que vencia a morte (a medicina).

As serpentes são, em diversas culturas, símbolo de conhecimento e sabedoria. As duas serpentes entrelaçadas do caduceu de Hermes também representam o número oito e são o símbolo do equilíbrio entre as forças antagônicas, representando também o eterno movimento cósmico, base de regeneração e de infinito. É a verticalidade formal do símbolo do Infinito. O caduceu é também apresentado como símbolo do comércio. Há quem acredite que as cobras representadas no caduceu, nada mais são do que uma analogia à energia Kundalini.

De fato pela extensão com a associação de Mércurio/Hermes, o caduceu é reconhecido como símbolo do comércio e negociação. É utilizado como emblema em diversas instituições dedicadas ao estudo e ensino das ciências contábeis. Institutos superiores de comércio do Chile, também é utilizado nos logotipos da Liga de Defesa Comercial “Lideco”, do colégio de contadores, economistas e administradores, da IPN no México e da escola superior de comércio Carlos Pellegrini de Buenos Aires entre muitas outras. Mas, segundo Fulcanelli, o caduceu simboliza o mercúrio filosófico. Ou seja, o resultado da absorção poderosa do enxofre metálico pelo mercúrio em estado líquido, que não pode ser desfeita uma vez juntos. A serpente simboliza o mercúrio a se apoderar do enxofre metálico, que por sua vez é o caduceu, o cajado de ouro de Abraão.

Na visão da cultura Afro Brasileira, especificamente à cultura Jeje-Nago denominado de candomblé o bastão do caduceu corresponde ao eixo do mundo e suas serpentes aludem ao orixá oxumare, princípio masculino e feminino, encontrado e venerado pelos adeptos no assentamento sagrado chamado de igba oxumare.

A serpente é perigosa, seu simbolismo de conhecimento vem daí. Todo conhecimento revela um perigo.

cobraA cobra também apresenta uma analogia à ”mão esquerda” na magia, ou seja, aqueles sistemas que utilizam-se mais do sentir, do intuitivo ( LUA ), etc, por isso, diz-se que antigamente, as tradições de esquerda eram chamadas de “tradições da serpente” e os da ”mão direita” que são aqueles estudos mais aprofundados em teoria, etc (SOL) eram chamados de ”tradições da pomba”.

É isso gente, a cobra é rica em simbolismos e analogias com nossa vida. Ela também ensina muitos mistérios, mas tais mistérios só podem ser vivenciados por aqueles que buscam o conhecimento.

 

Por Lua de Cain (Tatiana Macari)

Fonte: Grupo Labirinto dos Deuses