O Padre Carnavalle

padreNo início do século passado teria exis­tido, aqui em São Thomé, um padre conhecido como “Carnavalle” (ou Carnevalle). Provavelmente não assumiu a posição de pároco local oficial, teria em estada para tomar conta dos bens da paróquia e igreja, assim teria passado uma pequena temporada atuando como o “padre substituto’’, que vem em quanto celebrava uma missa.

Ele era “doente” por cerveja e por isso nunca ficava sem. Tinha o hábito de levar sempre uma garrafa escondida por baixo da batina. Provavelmente bebia quente o “precioso’’líquido fermentado, mesmo porquê naquela época geladeiras a querosene e a gás ainda não existiam no país.

Sem muito para fazer, Carnavalle promovia (ou inventava) estranhas festas e quermesses para conseguir donativos nas roças, como frangos e leitoas. Fazia a peregrinação em carro de boi para pedir e fazer a “coleta”, dias após.

Ao término do “evento” proposto, o vigário se recolhia à casa paroquial para um “retiro espiritual”, se pondo a comer e beber cervejinha por dias seguidos, e deixava claro a todos que desejaria não ser incomodado.

Passada a sua “hibernação” por alguns dias, talvez mais de uma semana, não se via o padre pelas ruas. De repente Carnavelle surgia vestindo sua batina em estado tão encardido e engordurado que o tecido, de cor preta chegava a ficar meio marrom…

Extraído do Livro Ilustrado: “Causos” & “Acausos” de São Tomé das Letras Ricardo Kayapó 

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